A névoa que recobre a madrugada encanta
O sereno acaricia a dureza das ruas em silêncio
Arrefece o coração carpido do poeta em desalinho
As sombras se esgueiram em cada canto e gritam em cada cria
As luzes do morro bailam com o vento
Que traz consigo a lembrança de que em meio ao caos há vida
Em algum canto há alguém a sorrir em demasia
Noutro há uma mãe a chorar com um filho que desfalecia
Em algum lugar há dois amantes rodopiando ao som de seus corações
Noutro há inúmeros corações afogados em profunda solidão
Em alguma esquina há um homem esperando sua condução
Enquanto por aí há caminhantes aos montes sem direção
Em algum lugar há uma criança que nasce para a vida
Sem saber que ali mesmo já começara a morrer
Tão pura quanto a flor que desabrocha na primavera
Sem saber que o vil inverno ainda chegará
Em algum lugar há alguém que está traindo seu amor
Tolamente sem saber que está traindo suas próprias convicções
Noutro lugar há alguém amando loucamente
Enquanto em outros alguém espera somente uma oportunidade de amar
Em algum lugar há alguém que ora agradecendo pelo dom da vida
Em tantos outros o suicídio não para de rondar
O poeta carrega a desgraça dos homens
Lhe foram dados olhos para enxergar
E um sentimento que não permite que se debruce sobre si
É tanta dor e tanta alegria que não se consegue respirar
A noite fantasmas vem lhe visitar aos risos
E pela manhã os anjos vem lhe guiar aos prantos
Num viver em eterna tensão a espera do milagre
Em crer que é possível acreditar na humanidade
Que o amor voltará a beijar-lhe a face
Acreditar que a sorte não é uma utopia
E que apaixonar-se a primeira vista é possível(Sim, é...)
É rir das tolices do coração e chorar de emoção
Ter fé de que a poesia não lhe abandonará em sua solidão
De que irá sentir o gosto de suas lágrimas correndo pela garganta
E perder-se nas sinuosas estradas de sua insônia
Levantando seu semblante decaído diante de sua maior fraqueza
Num tempo em que virtudes são raras de se encontrar
É reconhecer-se na fragilidade humana
Ser duro quando a vida demanda
E ser terno consigo próprio para aprender a amar.
sábado, 30 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
Soneto de Adeus do Poeta
De tanto buscar o inefável sorriso
O absorto poeta encontrou o pranto
Nas palavras soltas se viu indeciso
Ah! Este mundo precisa de acalanto
Redescobrir a esperança é preciso
Encontrar no outro um olhar de encanto
Olhar para si e ver que há um paraíso
Transformando a morada do coração em recanto
De que adianta ter um olhar conciso
Se ser poeta é estar em cada canto
E chorar pelo desnecessário e impreciso
É amar com zelo e ao mesmo tempo tanto
Acreditando na tola humanidade então me paraliso
De nada adianta. Vou-me embora e me levanto...
O absorto poeta encontrou o pranto
Nas palavras soltas se viu indeciso
Ah! Este mundo precisa de acalanto
Redescobrir a esperança é preciso
Encontrar no outro um olhar de encanto
Olhar para si e ver que há um paraíso
Transformando a morada do coração em recanto
De que adianta ter um olhar conciso
Se ser poeta é estar em cada canto
E chorar pelo desnecessário e impreciso
É amar com zelo e ao mesmo tempo tanto
Acreditando na tola humanidade então me paraliso
De nada adianta. Vou-me embora e me levanto...
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Prelúdio
A noite chega de rompante
Os astros e estrelas em seu tímido cintilar
A abóbada celeste enegrecida
Uma estrada à frente e faltam pés para caminhar
O silêncio que nasce da monotonia
Que açoita a inquietude da mente
Como um corpo sem sombra
Que insiste em caminhar indolente
Nesta noite ninguém estava nas ruas
Os bêbados não mais jaziam pelas calçadas
Os amores não estavam mais a namorar no portão
Nesta estrada caminha somente a solidão
No horizonte enevoado da vida mora o sentido
Que nos leva a direção alguma
Como perdidos num forte vento de outono
Flutuamos ao léu como a mais leve pluma
Involuntariamente esticava o braço
A mão procurava ao lado outra para segurar
Mas não havia ninguém...
Nem ao menos para um beijo ou um abraçar
Despido de razão, uma lágrima escorreu pela face
Num gesto tolo, esboçou um sorriso pálido
Percebeu que assim era pra ser
E rendeu-se ao choro que lhe consumia ávido
A noite é somente o prelúdio
A madrugada é o berço
Respirar é a condição
Para o alvorescer de um novo dia.
Os astros e estrelas em seu tímido cintilar
A abóbada celeste enegrecida
Uma estrada à frente e faltam pés para caminhar
O silêncio que nasce da monotonia
Que açoita a inquietude da mente
Como um corpo sem sombra
Que insiste em caminhar indolente
Nesta noite ninguém estava nas ruas
Os bêbados não mais jaziam pelas calçadas
Os amores não estavam mais a namorar no portão
Nesta estrada caminha somente a solidão
No horizonte enevoado da vida mora o sentido
Que nos leva a direção alguma
Como perdidos num forte vento de outono
Flutuamos ao léu como a mais leve pluma
Involuntariamente esticava o braço
A mão procurava ao lado outra para segurar
Mas não havia ninguém...
Nem ao menos para um beijo ou um abraçar
Despido de razão, uma lágrima escorreu pela face
Num gesto tolo, esboçou um sorriso pálido
Percebeu que assim era pra ser
E rendeu-se ao choro que lhe consumia ávido
A noite é somente o prelúdio
A madrugada é o berço
Respirar é a condição
Para o alvorescer de um novo dia.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Transforme-se
Sempre é preciso saber
quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela
mais do que o tempo necessário,
perdemos a alegria
e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos,
fechando portas,
terminando capítulos,
não importa o nome que damos.
O que importa é deixar no passado
os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada
desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo
se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo
que não dará mais um passo
enquanto não entender as razões
que levaram certas coisas,
que eram tão importantes e sólidas em sua vida,
serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude
será um desgaste imenso para todos:
seus pais, seu marido ou sua esposa,
seus amigos, seus filhos, sua irmã...
Todos estarão encerrando capítulos,
virando a folha,
seguindo adiante,
e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo
no presente e no passado,
nem mesmo quando tentamos
entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará:
não podemos ser eternamente meninos,
adolescentes tardios,
filhos que se sentem culpados
ou rancorosos com os pais,
amantes que revivem
noite e dia
uma ligação com quem já foi embora
e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam
e o melhor que fazemos
é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante
(por mais doloroso que seja!)
destruir recordações,
mudar de casa,
dar muitas coisas para orfanatos,
vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível
é uma manifestação do mundo invisível,
do que está acontecendo em nosso coração
e o desfazer-se de certas lembranças
significa também abrir espaço
para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando
nesta vida com cartas marcadas.
Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo,
não espere que reconheçam seu esforço,
que descubram seu gênio,
que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional
e assistir sempre ao mesmo programa,
que mostra como você sofreu com determinada perda:
isso o estará apenas envenenando
e nada mais.
Não há nada mais perigoso
que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego
que não têm data marcada para começar,
decisões que sempre são adiadas
em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo
é preciso terminar o antigo:
diga a si mesmo que o que passou,
jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época
em que podia viver sem aquilo,
sem aquela pessoa...
Nada é insubstituível,
um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio,
pode mesmo ser difícil,
mas é muito importante.
Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho,
por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente
aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta,
mude o disco,
limpe a casa,
sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela
mais do que o tempo necessário,
perdemos a alegria
e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos,
fechando portas,
terminando capítulos,
não importa o nome que damos.
O que importa é deixar no passado
os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada
desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo
se perguntando por que isso aconteceu.
Pode dizer para si mesmo
que não dará mais um passo
enquanto não entender as razões
que levaram certas coisas,
que eram tão importantes e sólidas em sua vida,
serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude
será um desgaste imenso para todos:
seus pais, seu marido ou sua esposa,
seus amigos, seus filhos, sua irmã...
Todos estarão encerrando capítulos,
virando a folha,
seguindo adiante,
e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo
no presente e no passado,
nem mesmo quando tentamos
entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará:
não podemos ser eternamente meninos,
adolescentes tardios,
filhos que se sentem culpados
ou rancorosos com os pais,
amantes que revivem
noite e dia
uma ligação com quem já foi embora
e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam
e o melhor que fazemos
é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante
(por mais doloroso que seja!)
destruir recordações,
mudar de casa,
dar muitas coisas para orfanatos,
vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível
é uma manifestação do mundo invisível,
do que está acontecendo em nosso coração
e o desfazer-se de certas lembranças
significa também abrir espaço
para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora.
Soltar.
Desprender-se.
Ninguém está jogando
nesta vida com cartas marcadas.
Portanto, às vezes ganhamos e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo,
não espere que reconheçam seu esforço,
que descubram seu gênio,
que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional
e assistir sempre ao mesmo programa,
que mostra como você sofreu com determinada perda:
isso o estará apenas envenenando
e nada mais.
Não há nada mais perigoso
que rompimentos amorosos que não são aceitos,
promessas de emprego
que não têm data marcada para começar,
decisões que sempre são adiadas
em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo
é preciso terminar o antigo:
diga a si mesmo que o que passou,
jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época
em que podia viver sem aquilo,
sem aquela pessoa...
Nada é insubstituível,
um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio,
pode mesmo ser difícil,
mas é muito importante.
Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho,
por incapacidade, ou por soberba.
Mas porque simplesmente
aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta,
mude o disco,
limpe a casa,
sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
domingo, 27 de março de 2011
Idas e Vindas
Idas e vindas
O passado e seus fantasmas
O presente e suas decepções
As pessoas e a superficialidade
A noite insone e eterna
A luz que oras assombra e oras acolhe
A loucura da humanidade
O olhar no espelho reconhecendo a insanidade
O autoconhecimento atordoante
A velocidade dos dias que nos consome
A falta dos sorrisos sinceros
Do amor de outrora
A lembrança de tempos que não voltam
O almejar de um futuro obscuro
Passos a caminhar numa estrada de percalços
Num destino que instiga e amedronta
Caminhar pelas sinuosas curvas da mente
Dissipar-se nos abismos da alma
Mergulhar na escuridão da loucura
E renascer no amanhã que jaz numa nova aurora
Na ausência eterna que assola o peito
Acelerando o coração
Que em velocidade clama somente por algo simples
Um sentimento raro em tempos de cólera
Na busca pela luz
Pelo confortar dos que choram
Que carregam em si a dor e o torpor em silêncio
Dos que tentam balbuciar o inexprimível
Idas e vindas
E onde encontrá-la?
Perdida num mundo com veias abertas a sangrar
Resta somente o desejo de um pouco mais de esperança para nos cicatrizar.
O passado e seus fantasmas
O presente e suas decepções
As pessoas e a superficialidade
A noite insone e eterna
A luz que oras assombra e oras acolhe
A loucura da humanidade
O olhar no espelho reconhecendo a insanidade
O autoconhecimento atordoante
A velocidade dos dias que nos consome
A falta dos sorrisos sinceros
Do amor de outrora
A lembrança de tempos que não voltam
O almejar de um futuro obscuro
Passos a caminhar numa estrada de percalços
Num destino que instiga e amedronta
Caminhar pelas sinuosas curvas da mente
Dissipar-se nos abismos da alma
Mergulhar na escuridão da loucura
E renascer no amanhã que jaz numa nova aurora
Na ausência eterna que assola o peito
Acelerando o coração
Que em velocidade clama somente por algo simples
Um sentimento raro em tempos de cólera
Na busca pela luz
Pelo confortar dos que choram
Que carregam em si a dor e o torpor em silêncio
Dos que tentam balbuciar o inexprimível
Idas e vindas
E onde encontrá-la?
Perdida num mundo com veias abertas a sangrar
Resta somente o desejo de um pouco mais de esperança para nos cicatrizar.
domingo, 20 de março de 2011
Samba da Saudade
No pobre peito sofre uma dor sem tamanho
A cruel saudade que invade de rompante a cada dia
E ao som de um samba se esboça um sorriso
Um riso de nostalgia assim brota
Dos tempos de outrora
Da felicidade que ficou pra trás
E descubro que samba é que nem saudade
É chorar de alegria e se encantar
Ver que ambos nascem de um lugar sem endereço
Que só os que amam sabem cantar
Quem conhece a paixão sabe falar
Esse lugar fica dentro do peito dos amantes
Ah, o pobre coração...
A cruel saudade que invade de rompante a cada dia
E ao som de um samba se esboça um sorriso
Um riso de nostalgia assim brota
Dos tempos de outrora
Da felicidade que ficou pra trás
E descubro que samba é que nem saudade
É chorar de alegria e se encantar
Ver que ambos nascem de um lugar sem endereço
Que só os que amam sabem cantar
Quem conhece a paixão sabe falar
Esse lugar fica dentro do peito dos amantes
Ah, o pobre coração...
domingo, 13 de março de 2011
O perdão
A cama regurgita meu corpo cansado
Minha mente grita e me rouba o sono
A saudade aperta o peito incansávelmente
Fazendo a consciência extrapolar seus limites humanos
Me joga na arena dos leões que são os fantasmas de minh'alma
E preciso domá-los, preciso não ter medo
Preciso aprender a perdoar...
A primeira lição é me perdoar...
O mestre do mestres ainda que na cruz
Nos provou a razão de abrir mão da divindade
E se juntar a nós no caminhar da humanidade
Nos deu o exemplo a ser seguido
E ainda sim, pela nossa humanidade falha, o julgamos
Na cruz foi colocado, pelos seus foi traído
Pelos seus foi negado...
Sublimemente, em seu maior sofrimento
Eis que ali ele nos deu o seu maior exemplo
Proferiu para o mais Alto o seu rogar:
"Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem"
Há quem diga que perdoar é o modo mais sublime de crescer
E pedir perdão é o modo mais sublime de se levantar
Hoje sei que preciso me libertar das amarras
Que a culpa não me levará ao caminho acertivo
Tomado pelo exemplo do Cristo, hei de conseguir meu perdão
Hei de olhar para meu espírito novamente com júbilo
Pois só aprende a dormir bem quem aprende a repousar dentro de si
Quem não cria pontes em sua mente adoece na alma
Faz descompassar o coração e se perde nas tramas da emoção
Sentir essa angústia é um privilégio dos vivos
É um dos pequenos preços que pagamos pelo dom da vida
Agradeço aos céus por hoje viver uma saudade imensa
Fico em paz por buscar o perdão
Pois dessa forma sei que conseguirei conhecer a felicidade
E ao ser perdoado, também poderei perdoar
Só há de conhecer a luz e distinguí-la aquele que um dia,
Inevitavelmente, já caminhou pelas estradas da escuridão da alma
Obrigado, Senhor, mais uma vez, pela frágil humanidade!
Minha mente grita e me rouba o sono
A saudade aperta o peito incansávelmente
Fazendo a consciência extrapolar seus limites humanos
Me joga na arena dos leões que são os fantasmas de minh'alma
E preciso domá-los, preciso não ter medo
Preciso aprender a perdoar...
A primeira lição é me perdoar...
O mestre do mestres ainda que na cruz
Nos provou a razão de abrir mão da divindade
E se juntar a nós no caminhar da humanidade
Nos deu o exemplo a ser seguido
E ainda sim, pela nossa humanidade falha, o julgamos
Na cruz foi colocado, pelos seus foi traído
Pelos seus foi negado...
Sublimemente, em seu maior sofrimento
Eis que ali ele nos deu o seu maior exemplo
Proferiu para o mais Alto o seu rogar:
"Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem"
Há quem diga que perdoar é o modo mais sublime de crescer
E pedir perdão é o modo mais sublime de se levantar
Hoje sei que preciso me libertar das amarras
Que a culpa não me levará ao caminho acertivo
Tomado pelo exemplo do Cristo, hei de conseguir meu perdão
Hei de olhar para meu espírito novamente com júbilo
Pois só aprende a dormir bem quem aprende a repousar dentro de si
Quem não cria pontes em sua mente adoece na alma
Faz descompassar o coração e se perde nas tramas da emoção
Sentir essa angústia é um privilégio dos vivos
É um dos pequenos preços que pagamos pelo dom da vida
Agradeço aos céus por hoje viver uma saudade imensa
Fico em paz por buscar o perdão
Pois dessa forma sei que conseguirei conhecer a felicidade
E ao ser perdoado, também poderei perdoar
Só há de conhecer a luz e distinguí-la aquele que um dia,
Inevitavelmente, já caminhou pelas estradas da escuridão da alma
Obrigado, Senhor, mais uma vez, pela frágil humanidade!
quarta-feira, 2 de março de 2011
Outrora poeta...
Outrora já fui poeta
Já descrevi as sombras da minha psique
As angústias que arrebatam meu ser
Fui fragmento, descompasso
Choro e fracasso
E no meio destas tortuosas trilhas percorridas e a percorrer
Somente o amor me fazia crer no porvir
Era a força motriz da minha existência
Um amor que superara o amor próprio
Que havia se tornado o alicerce da minha alma
Hoje não sou mais poeta
A poesia de outrora deu lugar ao vazio
A fonte de inspiração da qual me nutria
E que através desta renascia... Secou...
Ao caminhar em minha própria existência
Me perdi pois a perdi!
Hoje o poeta deu lugar ao caminhante
Um caminhante das estradas do conhecimento
Do auto conhecimento
Pois se em mim me perdi, hei de em mim me encontrar
E quem sabe numa nova fonte hei de beber e novamente renascer
E nunca me esquecer da primeira fonte que bebi
Que foi e ainda é a razão da minha poesia
Única e eterna, num amor inigualável
Dentro de mim, um jardim de beleza estonteante e inabalável
Que nem mesmo a maldade do tempo
E as sombras maliciosas da alma poderão apagar.
Já descrevi as sombras da minha psique
As angústias que arrebatam meu ser
Fui fragmento, descompasso
Choro e fracasso
E no meio destas tortuosas trilhas percorridas e a percorrer
Somente o amor me fazia crer no porvir
Era a força motriz da minha existência
Um amor que superara o amor próprio
Que havia se tornado o alicerce da minha alma
Hoje não sou mais poeta
A poesia de outrora deu lugar ao vazio
A fonte de inspiração da qual me nutria
E que através desta renascia... Secou...
Ao caminhar em minha própria existência
Me perdi pois a perdi!
Hoje o poeta deu lugar ao caminhante
Um caminhante das estradas do conhecimento
Do auto conhecimento
Pois se em mim me perdi, hei de em mim me encontrar
E quem sabe numa nova fonte hei de beber e novamente renascer
E nunca me esquecer da primeira fonte que bebi
Que foi e ainda é a razão da minha poesia
Única e eterna, num amor inigualável
Dentro de mim, um jardim de beleza estonteante e inabalável
Que nem mesmo a maldade do tempo
E as sombras maliciosas da alma poderão apagar.
terça-feira, 1 de março de 2011
Recônditos da Psique
Se hoje olho pro meu presente, tenho algumas certezas acerca de meu futuro...
A vida é longuíssima para se errar, mas assombrosamente curta para se viver. A consciência da brevidade da vida perturba a vaidade dos meus neurônios e me faz ver que sou um caminhante que cintila nas curvas da existência e se dissipa aos primeiros raios do tempo.
Nesse breve intervalo entre cintilar e dissipar, ando à procura de quem sou. Procurei-me em muitos lugares, mas me achei num lugar anônimo, no único lugar onde as vaias e os aplausos são a mesma coisa, o único lugar onde ninguém pode entrar sem permitirmos, nem nós mesmos.
Acerca do futuro, que eu nunca precise proferir tais palavras:
"Ah! Se eu pudesse retornar no tempo! Conquistaria menos poder e teria mais poder de conquistar. Beberia algumas doses de irresponsabilidade, me colocaria menos como aparelho de resolver problemas e me permitiria relaxar, pensar no abstrato, refletir sobre os mistérios que me cercam."
"Se eu pudesse retornar no tempo, procuraria meus amigos da juventude. Onde estão? Quem está vivo? Eu os procuraria e reviveria as experiências singelas colhidas no jardim da simplicidade, onde não havia ervas daninhas do status nem a sedução do poder financeiro."
"Se eu pudesse retornar, daria mais telefonemas para a mulher da minha vida nos intervalos das reuniões. Procuraria ser um profissional mais estúpido e um amante mais intenso. Seria mais bem-humorado e menos pragmático, menos lógico e mais romântico. Escreveria poesias tolas de amor. Diria mais vezes 'Eu te Amo!'. Reconheceria sem medo: 'Perdoe-me por trocá-la pelas reuniões de trabalho! Não desista de mim'.
"Ah, se eu pudesse retornar nas asas do tempo! Beijaria mais meus filhos, brincaria muito mais, curtiria sua infância como a terra seca absorve a água. Sairia na chuva com eles, andaria descalço na terra, subiria em árvores. Teria menos medo que se ferissem e gripassem, e mais medo de que se contaminassem com o sistema social. Seria mais livre no presente e menos escravo do futuro. Trabalharia menos para lhes dar o mundo e me esforçaria muito mais para lhes dar o meu mundo."
O passado é meu algoz, não me permite o retorno, mas o presente levanta generosamente meu semblante decaído e me faz enxergar que não posso mudar o que fui, mas posso construir o que serei. Podem me chamar de louco, psicótico, maluco, não importa. O que importa é que, como todo mortal, um dia terminarei o show da existência no pequeno palco de um túmulo, diante de uma platéia em lágrimas.
Nesse dia, não quero que digam: "Eis que nesse túmulo repousa um homem rico, famoso e poderoso, cujos feitos estão nos anais da história". E nem que digam: "Eis que jaz nele um homem ético e justo". Pois isso é mera obrigação. Mas espero que digam: "Eis que nesse túmulo repousa um simples caminhante que entendeu um pouco do que é ser um ser humano, que aprendeu um pouco a ser apaixonado pela humanidade e conseguiu um pouco vender sonhos para outros passantes...".
Fica a pergunta para todos nós refletirmos: "Como se achar sem nunca se perder?"
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Se eu fosse chuva...
Ao olhar para o céu vi minha pequenez
E imaginei em como poderia bailar no imenso azul
Brincar de fazer formas e me perder em seu horizonte infindo
Perder de forma tal onde não pudesse me encontrar
Nos dias tristes, ficaria envolto em tempestades
E nos momentos de paz abrasaria a humanidade com o calor acolhedor
Imaginei que poderia ser como as nuvens
Que são levadas pelo vento sem rumo certo
Ou que pudesse ser apenas o trovão
E que com meu brado implacável afastaria todo o mal
Mas não era suficiente...
Que tal ser como os raios tempestuosos?
Com seu brilho e força rasgam os céus
Rompendo e transpondo tudo que estiver em seu caminho
E caem onde o destino assim quiser...
Podia ser o vento, que tem o dom de arrefecer ou de aplacar
De tocar o semblante de quem amo sem se identificar
E assim fazê-la sorrir sem notar que estava ali todo o tempo
Ou ser como a chuva, que através de suas dóceis gotas
Percorreria cada centímetro de sua pele
Deslizando em cada curva
Sentindo seus dedos me secarem em sua face
Escorrendo em seus cabelos que não ouso esquecer o perfume
A escolha está feita
Esta noite irei ajoelhar e me remeter ao mesmo céu que antes observara
E diante de sua grandeza suplicarei que me torne chuva
Que eu seja merecedor...
Por um dia apenas...
Um dia apenas...
E imaginei em como poderia bailar no imenso azul
Brincar de fazer formas e me perder em seu horizonte infindo
Perder de forma tal onde não pudesse me encontrar
Nos dias tristes, ficaria envolto em tempestades
E nos momentos de paz abrasaria a humanidade com o calor acolhedor
Imaginei que poderia ser como as nuvens
Que são levadas pelo vento sem rumo certo
Ou que pudesse ser apenas o trovão
E que com meu brado implacável afastaria todo o mal
Mas não era suficiente...
Que tal ser como os raios tempestuosos?
Com seu brilho e força rasgam os céus
Rompendo e transpondo tudo que estiver em seu caminho
E caem onde o destino assim quiser...
Podia ser o vento, que tem o dom de arrefecer ou de aplacar
De tocar o semblante de quem amo sem se identificar
E assim fazê-la sorrir sem notar que estava ali todo o tempo
Ou ser como a chuva, que através de suas dóceis gotas
Percorreria cada centímetro de sua pele
Deslizando em cada curva
Sentindo seus dedos me secarem em sua face
Escorrendo em seus cabelos que não ouso esquecer o perfume
A escolha está feita
Esta noite irei ajoelhar e me remeter ao mesmo céu que antes observara
E diante de sua grandeza suplicarei que me torne chuva
Que eu seja merecedor...
Por um dia apenas...
Um dia apenas...
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