Mais uma noite que cai no Rio de Janeiro
Junto uma chuva impertinente
No ar há uma melancolia, talvez tristeza
O cheiro do asfalto quente e molhado
A velocidade dos passos aumenta
Faces anônimas misturam chuva e suor
Num ir e vir trôpego e descompassado
A luz reflete nas gotas da janela
Brincando de cores e formas em meio ao caos
As impacientes buzinas ecoam na grande avenida
Tal qual o peão acelerando o passo da boiada
Mais do que pessoas, universos paralelos
Coexistindo na mesma realidade
A água escorre se arrastando pelo meio fio
Levando consigo um pouco de tudo
A sujeira, o suor, as lágrimas...
Como uma veia aberta a sangrar
Esvaindo fragmentos de vidas que não cansam
E insistem em passar.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Ritual
No copo a cerveja já quente
A fumaça do cigarro
em espiral constante,
brincando com as formas
desformes dos eternos amantes.
Num labirinto indecente
que marca, nomeia e avante
Nos leva a um caminho
Onde só nós ditamos as regras.
E que regras ditamos
em declínio constante?
As palavras não ditas
e tua sombra se forma
na penumbra desnuda
sob a luz da lua.
Por fim, teu sexo aflora e revela
e na inevitabilidade da noite
O ritual se celebra.
(Parceria de Romulo Narducci - 25/06/2008)
A fumaça do cigarro
em espiral constante,
brincando com as formas
desformes dos eternos amantes.
Num labirinto indecente
que marca, nomeia e avante
Nos leva a um caminho
Onde só nós ditamos as regras.
E que regras ditamos
em declínio constante?
As palavras não ditas
e tua sombra se forma
na penumbra desnuda
sob a luz da lua.
Por fim, teu sexo aflora e revela
e na inevitabilidade da noite
O ritual se celebra.
(Parceria de Romulo Narducci - 25/06/2008)
sábado, 13 de junho de 2009
Silêncio do poeta
Silêncio
Há quem diga ser o mais perfeito som
Tão perfeito que a busca por ele se torna infinda
Horas atordoante e horas acolhedor
O poeta descobre que o silêncio não se limita ao som da vida
E percebe que mesmo que carregue todo o sentimento dentro de si
Não haverão palavras pra expor tudo que sente
Nem sons que traduzam a velocidade de seus pensamentos
Quiçá a velocidade com a qual seu coração bate em tal momento
Sim, há de se respeitar o silêncio
Por mais duro que possa parecer ao poeta
Silêncio não é morte, não é abster-se
Muito menos a inexistência do sentimento que o move
Talvez seja apenas o cansaço de sua pobre e limitada carcaça
Que foi fadada a carregar tamanha sofreguidão
Ah poeta! Tens o dom de amar com todas as suas forças
Ao mesmo tempo que pode praguejar maldições em seu íntimo
Podes ser Deus em seus devaneios
E o mais ínfimo ser que já viveu
Carregas a loucura desenfreada e desvairada
E a lógica, racional e moralizada
Sim poeta, aceite o silêncio
Acalma teu espírito e amansa teus pensamentos
As palavras haverão de surgir
Não há céu enegrecido que um dia o sol não se faça presente
Fazendo novamente a luz surgir
O silêncio há de cessar, e o sentimento voltarás a sentir
E o sentido voltará, os passos encontrarão o compasso
Verás que quando o silêncio soar como o fim
Não se engane com sua indolência
Não deixe que te cegue com sua obscuridade
Tudo é apenas o começo...
Há quem diga ser o mais perfeito som
Tão perfeito que a busca por ele se torna infinda
Horas atordoante e horas acolhedor
O poeta descobre que o silêncio não se limita ao som da vida
E percebe que mesmo que carregue todo o sentimento dentro de si
Não haverão palavras pra expor tudo que sente
Nem sons que traduzam a velocidade de seus pensamentos
Quiçá a velocidade com a qual seu coração bate em tal momento
Sim, há de se respeitar o silêncio
Por mais duro que possa parecer ao poeta
Silêncio não é morte, não é abster-se
Muito menos a inexistência do sentimento que o move
Talvez seja apenas o cansaço de sua pobre e limitada carcaça
Que foi fadada a carregar tamanha sofreguidão
Ah poeta! Tens o dom de amar com todas as suas forças
Ao mesmo tempo que pode praguejar maldições em seu íntimo
Podes ser Deus em seus devaneios
E o mais ínfimo ser que já viveu
Carregas a loucura desenfreada e desvairada
E a lógica, racional e moralizada
Sim poeta, aceite o silêncio
Acalma teu espírito e amansa teus pensamentos
As palavras haverão de surgir
Não há céu enegrecido que um dia o sol não se faça presente
Fazendo novamente a luz surgir
O silêncio há de cessar, e o sentimento voltarás a sentir
E o sentido voltará, os passos encontrarão o compasso
Verás que quando o silêncio soar como o fim
Não se engane com sua indolência
Não deixe que te cegue com sua obscuridade
Tudo é apenas o começo...
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Desabafo
Devido a um período obscuro para a escrita deste que vos fala, decidi postar um texto que diz muito sobre esse momento que passo de não conseguir expor meus sentimentos em versos. Que Vinícius de Moraes se faça entendido por aquele que o ler aqui e entenda um pouco de minha angústia...
MENSAGEM À POESIA - VINÍCIUS DE MORAES
Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.
Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso
reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.
Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.
MENSAGEM À POESIA - VINÍCIUS DE MORAES
Não posso
Não é possível
Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.
Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso
reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.
Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Humanidade
Na velocidade dos dias
No passo apressado
Do espírito amargurado
Resta ainda um ser descarnado
Separado de si
Onde uma alma jaz num corpo
Desfalecido, mortificado
Olhos abertos, porém vendados
Realidades se cruzando
Respiração fria e descompassada
Seguindo o mesmo Deus
Numa estrada sem saída
Todos se queimando
Tal negra é a chama
Da fumaça dos escapamentos
Abafando cada alma, sem escapatória
E buzinava cada canto
E gritava cada cria
E mesmo sem saber, já fadada ao Haver
O barulho era o mesmo
O projétil invade a muralha
Das proteções contra nós mesmos
O sangue espirra diante da família
Com a dor trazendo cor a hipocrisia
A dor ganha movimento no jornal matinal
Todos sentados à mesa comentando o fato
Não percebendo o principal
A verdade velada e os gritos silenciosos
Eram eles que estavam mortos
Há muito tempo, mesmo sem saber
Que os prisioneiros são eles
No cárcere da ignorante humanidade
---------------//------------------
*Parceria de Thomas Tjabbes na autoria deste texto*
No passo apressado
Do espírito amargurado
Resta ainda um ser descarnado
Separado de si
Onde uma alma jaz num corpo
Desfalecido, mortificado
Olhos abertos, porém vendados
Realidades se cruzando
Respiração fria e descompassada
Seguindo o mesmo Deus
Numa estrada sem saída
Todos se queimando
Tal negra é a chama
Da fumaça dos escapamentos
Abafando cada alma, sem escapatória
E buzinava cada canto
E gritava cada cria
E mesmo sem saber, já fadada ao Haver
O barulho era o mesmo
O projétil invade a muralha
Das proteções contra nós mesmos
O sangue espirra diante da família
Com a dor trazendo cor a hipocrisia
A dor ganha movimento no jornal matinal
Todos sentados à mesa comentando o fato
Não percebendo o principal
A verdade velada e os gritos silenciosos
Eram eles que estavam mortos
Há muito tempo, mesmo sem saber
Que os prisioneiros são eles
No cárcere da ignorante humanidade
---------------//------------------
*Parceria de Thomas Tjabbes na autoria deste texto*
domingo, 16 de novembro de 2008
Explicação
Os textos "Verdades", "Desejos e Desatinos" e "Enfim Sós, Enfim Nós" se interligam numa só história. Minha idéia era de transformar a história num conto. Porém, preferi fazer essas 3 poesias que seguem abaixo. Espero que gostem.
Abraços,
Vitor L. Muniz
Abraços,
Vitor L. Muniz
Verdades
Ah, as necessidades do corpo
As vicissitudes da alma
A perversidade da tua beleza
Que me rasga os olhos e penetra o corpo
Me inflama, me deixa de uma forma insana
Sim, sinto sede!
Sede de teus beijos, de sentir teu gosto
De tocar teu corpo e contigo delirar.
De saber que só você, aonde quer que eu vá
Não verá obstáculos e nunca irá parar
Imaginar-te, nua, somente com o véu da madrugada que te recobre
Com o brilho da lua que se condensa na escuridão
Me faz estar em outro universo de sentidos,
respirando fundo e ao mesmo tempo com tamanha sofreguidão,
Percebo que me levaste a treva mais silenciosa de um homem
A treva do desejo, onde não há direção ou sentido, só há você
Pura, e devassa, puramente devassa
Olho pra ti e vejo mais que você, vejo também a mim
E penso: Sim, há de ser, há de acontecer
Entre desejos proibidos e um sexo ensandecido
Deixaremos o Ser para, e por fim, Haver
Como duas forças que, pela sua natureza,
Tendem a se unificar e se completar
Alcançaremos a plenitude de uma relação que sem dúvidas é eterna e infinda
E teremos a certeza que a existência da nossa verdade
E ela é somente nossa, como sempre foi e haveria de ser,
Por fim irá se concretizar.
As vicissitudes da alma
A perversidade da tua beleza
Que me rasga os olhos e penetra o corpo
Me inflama, me deixa de uma forma insana
Sim, sinto sede!
Sede de teus beijos, de sentir teu gosto
De tocar teu corpo e contigo delirar.
De saber que só você, aonde quer que eu vá
Não verá obstáculos e nunca irá parar
Imaginar-te, nua, somente com o véu da madrugada que te recobre
Com o brilho da lua que se condensa na escuridão
Me faz estar em outro universo de sentidos,
respirando fundo e ao mesmo tempo com tamanha sofreguidão,
Percebo que me levaste a treva mais silenciosa de um homem
A treva do desejo, onde não há direção ou sentido, só há você
Pura, e devassa, puramente devassa
Olho pra ti e vejo mais que você, vejo também a mim
E penso: Sim, há de ser, há de acontecer
Entre desejos proibidos e um sexo ensandecido
Deixaremos o Ser para, e por fim, Haver
Como duas forças que, pela sua natureza,
Tendem a se unificar e se completar
Alcançaremos a plenitude de uma relação que sem dúvidas é eterna e infinda
E teremos a certeza que a existência da nossa verdade
E ela é somente nossa, como sempre foi e haveria de ser,
Por fim irá se concretizar.
Desejos e Desatinos
Ah! Essa tez alva, mas que nunca há de me enganar
Pois tuas deliciosas curvas são mesmo como as de uma cabrocha
E ao me imaginar, entrevendo-as numa penumbra sensual como a de um luar
Eis que como a mais bela rosa, no orvalho primaveril, só para mim, deslumbrantemente, você desabrocha.
Gosto de entrever-te, despida e quase nua
E na carícia dos momentos silenciosos,
Repletos de ânsias e gemidos, de suor e suspiros nervosos,
Te possuir ultrapassa os limites da vontade
É desejo, tesão, lascívia, libertinagem, por oras até insanidade.
Uma envolvente e estranha nebulosa me cerca,
Me abraça e me alucina
E põe em minha boca um gosto de desejo,
Que me excita, e, cada vez mais,
Me entorpece e desatina
Sim! Te ter, foder, trepar, transar
Não! Isso seria pouco, não contigo.
Tens mais fogo, mais sensualidade
E és tão grandiosa que te possuir só me remete a uma única palavra:
Profanar!
Ah sim, contigo eu seria profano, desrespeitando limites mundanos comuns, seria devasso,
O que nossos corpos e mentes imaginassem,
Qualquer coisa pra tornar este momento muito mais do que único
E também não só memorável, pois memórias se perdem ou se apagam
Seria mais que isso
Para nós, só haveria de ser uma única coisa simplesmente
Seria inefável, e ainda mais
Como tudo o que jamais poderá ser apagado,
Para nós seria indelével.
Pois tuas deliciosas curvas são mesmo como as de uma cabrocha
E ao me imaginar, entrevendo-as numa penumbra sensual como a de um luar
Eis que como a mais bela rosa, no orvalho primaveril, só para mim, deslumbrantemente, você desabrocha.
Gosto de entrever-te, despida e quase nua
E na carícia dos momentos silenciosos,
Repletos de ânsias e gemidos, de suor e suspiros nervosos,
Te possuir ultrapassa os limites da vontade
É desejo, tesão, lascívia, libertinagem, por oras até insanidade.
Uma envolvente e estranha nebulosa me cerca,
Me abraça e me alucina
E põe em minha boca um gosto de desejo,
Que me excita, e, cada vez mais,
Me entorpece e desatina
Sim! Te ter, foder, trepar, transar
Não! Isso seria pouco, não contigo.
Tens mais fogo, mais sensualidade
E és tão grandiosa que te possuir só me remete a uma única palavra:
Profanar!
Ah sim, contigo eu seria profano, desrespeitando limites mundanos comuns, seria devasso,
O que nossos corpos e mentes imaginassem,
Qualquer coisa pra tornar este momento muito mais do que único
E também não só memorável, pois memórias se perdem ou se apagam
Seria mais que isso
Para nós, só haveria de ser uma única coisa simplesmente
Seria inefável, e ainda mais
Como tudo o que jamais poderá ser apagado,
Para nós seria indelével.
Enfim Sós, Enfim Nós
Mais forte do que nós, humanos, comuns, um momento
Mais do que único,eterno, inefável, indelével
Insaciável, sim, quero mais, não hei de mentir
És mais do que melhor, és incomparável, única
Ah! Essa sensação de que já senti esse gosto alguma vez,
Mas a insaciabilidade de não o ter sentido nesta vida
Me deixa inquieto, insatisfeito, me consome
E por mais que me digas que não, sei que também sente desta forma
Quero que me digas que pra ti não foi maravilhoso
A sensação não somente do prazer
Mas a sensação de viver
De saber que nada mais havia a não ser nós mesmos
Ah, Haver! Sobrepõe a condição do Ser
Sou mais feliz, sim
Mas só há razão em meu "haver" se, quando, alguém como você
Em minha vida, não mais do que "de repente", veio a aparecer
Entre quatro paredes
finalmente nos entregamos,
nos curtimos, nos amamos,
saciamos tantas "sedes"!
No ouvido ecoa ainda a doce melodia
que marcou aqueles momentos de alegria e prazer desvairados
Na retina, imagens da cama e de juras ditas e não ditas,
símbolos da imortalização de nossas fantasias!
Errado ou direito,
tudo que ali "rolou", só a dois diz respeito,
eu e você, somente a nós!
Hoje posso dizer que estou feliz,
não me arrependo de nada do que fiz.
Foi sublime o nosso "ENFIM SÓS"!
Mais do que sós, posso dizer "ENFIM NÓS"!
Mais do que único,eterno, inefável, indelével
Insaciável, sim, quero mais, não hei de mentir
És mais do que melhor, és incomparável, única
Ah! Essa sensação de que já senti esse gosto alguma vez,
Mas a insaciabilidade de não o ter sentido nesta vida
Me deixa inquieto, insatisfeito, me consome
E por mais que me digas que não, sei que também sente desta forma
Quero que me digas que pra ti não foi maravilhoso
A sensação não somente do prazer
Mas a sensação de viver
De saber que nada mais havia a não ser nós mesmos
Ah, Haver! Sobrepõe a condição do Ser
Sou mais feliz, sim
Mas só há razão em meu "haver" se, quando, alguém como você
Em minha vida, não mais do que "de repente", veio a aparecer
Entre quatro paredes
finalmente nos entregamos,
nos curtimos, nos amamos,
saciamos tantas "sedes"!
No ouvido ecoa ainda a doce melodia
que marcou aqueles momentos de alegria e prazer desvairados
Na retina, imagens da cama e de juras ditas e não ditas,
símbolos da imortalização de nossas fantasias!
Errado ou direito,
tudo que ali "rolou", só a dois diz respeito,
eu e você, somente a nós!
Hoje posso dizer que estou feliz,
não me arrependo de nada do que fiz.
Foi sublime o nosso "ENFIM SÓS"!
Mais do que sós, posso dizer "ENFIM NÓS"!
Rei e Rainha
Começar de novo
Enterrando os fantasmas que me atormentam
E num único momento você tem a capacidade
Você consegue me fazer melhor
Como eu poderia saber que seria tão bom
Que perdido num espaço só meu
Num tempo que ninguém mais faz parte
Eu finalmente enxerguei meu "eu"
Você me fez ser seu
Não importa o tempo
Nem a distância
A mágica já se fez, e não há de se apagar
Somos a verdade que jamais será contada
A história que nunca vai ter fim
Somos a realidade desmascarada
O sentido pra viver
Tudo vai continuar, e por tentar,
não há dia que eu não vá chorar
só em nós pensar, ver a vida
e ver que não podemos mudar
Não podemos jamais negar
Nem ter medo de errar
Por que sempre existe algo
Que nem o tempo nem qualquer ferida
Mesmo sempre a sangrar
Há de mudar ou sequer sarar
A cada lágrima e a cada suspiro
A história em que só eu você
Somos rei e rainha do nosso amor
Fica a saudade do que há,do que foi
E do que será
Não há só um dia
que eu nunca vá lembrar
que essa é minha vida
e tomara Deus,
que isso nunca vá mudar!
Enterrando os fantasmas que me atormentam
E num único momento você tem a capacidade
Você consegue me fazer melhor
Como eu poderia saber que seria tão bom
Que perdido num espaço só meu
Num tempo que ninguém mais faz parte
Eu finalmente enxerguei meu "eu"
Você me fez ser seu
Não importa o tempo
Nem a distância
A mágica já se fez, e não há de se apagar
Somos a verdade que jamais será contada
A história que nunca vai ter fim
Somos a realidade desmascarada
O sentido pra viver
Tudo vai continuar, e por tentar,
não há dia que eu não vá chorar
só em nós pensar, ver a vida
e ver que não podemos mudar
Não podemos jamais negar
Nem ter medo de errar
Por que sempre existe algo
Que nem o tempo nem qualquer ferida
Mesmo sempre a sangrar
Há de mudar ou sequer sarar
A cada lágrima e a cada suspiro
A história em que só eu você
Somos rei e rainha do nosso amor
Fica a saudade do que há,do que foi
E do que será
Não há só um dia
que eu nunca vá lembrar
que essa é minha vida
e tomara Deus,
que isso nunca vá mudar!
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